Hospital INC - Instituto de Neurologia de Curitiba

Dor ciática começa nos glúteos e irradia até a ponta do pé

Confira nosso doutor Daniel Benzecry, neurocirurgião e membro do Grupo da Dor do INC, se destacando em vários meios com o tema dor ciática.

Toda condição que modifica ou comprime a estrutura do nervo ciático pode levar à dor ciática. Entretanto, a causa mais comum do incômodo é a hérnia de disco. Dor ou queimação profunda que começa nos glúteos e irradia até a ponta do pé, peso nas pernas e
formigamento. Essas são as sensações relatadas aos médicos para descrever a dor ciática, também conhecida como ciática ou ciatalgia.

Apesar de ser incômoda e limitar os movimentos, até o pai da medicina, Hipócrates, observou que tais sintomas revelavam um bom prognóstico, sinal de que o mal-estar poderia durar por 40 dias, e até se resolver sozinho. Mas demoraria muito até que se entendesse que essa dor não era uma dor lombar comum e, sim, algum problema no maior nervo do corpo humano —o ciático, o que ocorreu em 1934. Hoje, sabemos que ela raramente se manifesta na juventude, tem seu pico de incidência a partir dos 40 anos, não distingue homens e mulheres e pode acometer de 10% a 40% da população ao longo da vida.


A sensação dolorosa aparece de repente, portanto, é classificada como aguda, e decorre de uma compressão que gera uma ação inflamatória muito incômoda. Como previra o médico grego, 9 entre 10 pacientes estarão recuperados no período de aproximadamente 40 dias. Pessoas idosas, devido aos processos degenerativos naturais, poderão ter de lidar com a dor por mais tempo, mas, mesmo assim, 6 entre 10 delas terão sucesso na recuperação.


Saiba reconhecer os sintomas
A maioria das pessoas descreve a sensação dolorosa como um "músculo machucado" ou "pontadas" que podem ter se manifestado após uma prática física mais intensa (longa caminhada), ou mesmo após a permanência na posição sentada por longo período.

Além dessas particularidades você também poderá observar:

  • Sensação de formigamento (parestesia) na panturrilha, perna e pé (tanto no dorso quanto na planta), a depender de qual raiz do nervo está comprimida);
  • Redução de sensibilidade (adormecimento ou levemente anestesiado);
  • Dor ao flexionar o joelho para trás;
  • Dor ao dobrar a coluna;
  • Dor ao caminhar;
  • Dor ao tossir;
  • Perda de força na perna (nos casos mais graves).

Por que isso acontece?
Toda condição que modifica ou comprime a estrutura do nervo ciático pode levar à dor ciática. Entretanto, a causa mais comum do incômodo é a hérnia de disco, ou seja, o extravasamento do núcleo gelatinoso existente entre as vértebras da sua coluna. Imagine que cada vértebra é um daqueles chicletes que contêm uma parte líquida em seu interior. A hérnia de disco ocorre quando há o extravasamento do conteúdo gelatinoso.

Entre os idosos, o problema pode decorrer de processos degenerativos naturais como a estenose, que leva ao estreitamento do canal espinhal por onde passam os nervos.


Quem precisa ficar mais atento?
Todas as pessoas podem ter algum episódio de dor ciática ao longo da vida, mas elas são mais comuns entre os grupos abaixo:

  • Praticantes de atividade física (intensa ou não) que já tiveram dor ciática no passado;
  • Motoristas de caminhão;
  • Operadores de máquinas;
  • Trabalhadores submetidos a posições não ergonômicas (carregadores de cargas, por exemplo).

Quando é a hora certa de procurar ajuda?
A dor é um sinal físico de que algo não está bem. Por isso, quando ela é pontual e aparece depois de um impacto decorrente de um exercício, um analgésico comum pode resolver o problema. Mas se ela apareceu de repente, é intensa, reduz a capacidade de se movimentar e altera a sensibilidade, evite automedicar-se e procure ajuda médica o quanto antes.

Quanto mais cedo for feito o diagnóstico e você for tratado, mais rapidamente a queixa se resolverá. Além disso, o uso de anti-inflamatórios e analgésicos sem prescrição médica pode causar ou agravar problemas gastrointestinais.

Como é feito o diagnóstico?
No consultório, o médico deve fazer o levantamento detalhado da sua história clínica.
Como o nervo não é palpável, o exame físico inclui a investigação de um sinal chamado Sinal de Lasègue. Ele é feito por meio de uma manobra com a perna que procura estirar o nervo ciático. O profissional também testará a força e o reflexo dos membros inferiores para identificar as áreas afetadas.

De acordo com os especialistas, essas práticas seriam suficientes para definir o diagnóstico, mas alguns exames de imagem poderão ser solicitados para melhor entender a origem da dor. Assim, exames de imagem como a radiografia e a ressonância magnética ajudarão a avaliar as condições da coluna, do quadril, da medula e dos discos vertebrais. Porém, os médicos advertem: esses exames não são obrigatórios, especialmente nas primeiras 6 semanas da dor, e nem sempre são necessários. Caso haja suspeita de lesão do nervo, a eletroneuromiografia poderá ser útil para identificá-la.

Conheça as opções de tratamento
A maioria dos casos se resolve no período de 4 a 6 semanas, mas você pode ter de esperar até 90 dias para recuperar-se completamente. Por isso, o indicado é seguir as orientações médicas, ter paciência, e colaborar com o tratamento. A depender da gravidade do seu caso, o médico tem as seguintes estratégias à disposição:

  • Orientações posturais (como levantar-se, sentar-se, melhor posição para dormir);
  • Medicamentos (analgésicos e anti-inflamatórios); Reabilitação física (fisioterapia, RPG, entre outras práticas físicas para fortalecer e alongar os músculos da região, evitando a compressão das raízes nervosas);
  • Infiltrações (injeção de corticoide no local, que tem alta eficácia contra a dor);
  • Cirurgia (a única indicação absoluta é a presença de déficit neurológico progressivo).

Dor ciática pode ser crônica?
Sim. Toda dor que perdura no tempo —no caso, mais de 3 meses— já é considerada crônica. Por isso, tão logo comece o mal-estar, procure ajuda especializada. Entretanto, pode acontecer de, algumas pessoas, mesmo tratadas corretamente, não apresentarem a
resposta esperada pelos médicos. Nesses casos, a intervenção de uma equipe multidisciplinar especializada em dor pode ser a solução. "Via de regra, esses são quadros complicados que exigem o uso de analgésicos mais potentes, antidepressivos, anticonvulsivantes (atuam no funcionamento do nervo), práticas físicas e meditativas, psicoterapia e acupuntura", explica Daniel Benzecry Almeida, neurocirurgião e coordenador do Grupo de Dor do Hospital INC (Instituto de Neurologia de Curitiba).


Dá para prevenir a dor ciática?
Os especialistas são unânimes quanto à adoção de hábitos que contribuem para o bom condicionamento da coluna: postura adequada, prática de exercícios de musculação para fortalecimento do core (abdome, pelve e lombar), isométricos e de alongamento (como Pilates, RPG, Ioga e aquáticos —natação e hidroginástica), além de evitar o tabagismo.