Hospital INC - Instituto de Neurologia de Curitiba

Enxaqueca atinge cerca de 14% da população brasileira. Saiba como tratar

No Brasil, a estimativa é que 30 milhões de pessoas sofram com essa doença que é uma das mais incapacitantes do mundo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a enxaqueca como uma das doenças mais incapacitantes do mundo. A famosa dor de cabeça latejante que, na maioria das vezes, acontece em um lado da cabeça, atinge a pelo menos 30 dos 212,6 milhões de brasileiros, ou seja, pelo menos 14% da população sofre com o problema.

De acordo com o neurologista e especialista em cefaleia pelo Instituto de Neurologia de Curitiba Dr. Paulo Faro, a enxaqueca é uma doença causada por fatores genéticos e pode ser desencadeada por uma série de gatilhos. Entre eles estão o estresse emocional, menstruação, alimentação e até problemas com o sono.

A OMS estima que 15% da população mundial sofra com problema. Segundo o Dr. Paulo, quem vai ter enxaqueca é aquele indivíduo com o código genético alterado para isso. O médico afirma que as pessoas enxaquecosas costumam ter outros sintomas junto a dor na cabeça. Entre eles estão intolerância a cheiros, claridade, tontura e até vômitos.

Esses sintomas são clássicos na hora de se identificar uma crise. No entanto, para um médico saber quando o paciente está com enxaqueca, o diagnóstico acaba sendo clínico de acordo com a descrição de sintomas feita pelo paciente. “Na primeira consulta, a gente já vai saber se o paciente tem ou não enxaqueca. Ele deve ter pelo cinco crises nessas características”, diz.

Dor de cabeça x enxaqueca
Segundo o Dr. Paulo, as dores de cabeça são sintomas e podem ser desencadeadas por mais de 200 motivos, a enxaqueca é apenas um deles. Como doença, ela é a mais incapacitante do mundo para pessoas com menos de 50 anos.

A enxaqueca é capaz de atrapalhar diretamente na qualidade de vida de uma pessoa. As crises podem ser tão fortes que incapacitam alguém de realizar uma determinada tarefa, como trabalhar.

“Pessoas com enxaqueca também sofrem com síndrome das pernas inquietas, ronco, uma frequência maior de distúrbios do sono”, destaca o médico.

Quando buscar tratamento?
Para o Dr. Paulo, a busca por tratamento é um divisor de águas para muitos pacientes que quando chegam no consultório perdem o momento de buscar tratamento adequado. Com isso, se uma pessoa apresentador um episódio de enxaqueca por semana por pelo menos três meses, ela já precisaria procurar atendimento médico.

Segundo o médico, não se deve adiar a busca por tratamento as crises já que, muitas delas, podem ser agressivas.

“Não se pode tolerar, tem que iniciar um tratamento preventivo o quanto antes”, afirma

Em relação aos tratamentos, existem medicamentos de via oral e subcutânia (aplicados por meio de injeção na pele). Além disso, há remédios com anticorpos monoclonáis. Esses fazem parte da primeira classe de medicamentos específicos para enxaqueca.

“Pesquisas mostram que esse remédios são seguros, práticos, injeções semelhantes insulina aplicadas uma vez por mês e são excelentes”, destaca o Dr. Paulo

O que fazer em casa para amenizar as crises?
Um paciente que tiver uma crise de enxaqueca em casa, o Dr. Paulo recomenda que ele tente descobrir o que está agravando sua crise. Por exemplo, se luz ou movimentação fazem aumentar a dor. Depois disso, o ideal é se isolar no quarto.

Se a dor de cabeça for em peso, a pessoa acometida pela enxaqueca pode utilizar uma compressa morna no local da dor, já se o desconforto for latejante, pode usar algo em gelo. Além disso, massagear a região da dor também pode ajudar.

A crise de enxaqueca pode ser intensa, com isso, dependendo do caso, apenas remédios podem ajudar no tratamento.

“Se a crise não é tratada de maneira adequada, a pessoa vai ter risco de desenvolver enxaqueca crônica”, diz

Cirurgia de enxaqueca
Desenvolvida nos Estados Unidos por um cirurgião plástico no início dos anos 2000, um procedimento tem ficado cada vez mais popular no Brasil: a cirurgia da enxaqueca. A operação pode ser feita em qualquer paciente que tenha diagnóstico de migrânea (enxaqueca) e que sofra com duas ou mais crises severas de dor por mês.

A ideia é o paciente apontar o local onde dói e o cirurgião atua para descomprimir os nervos da região. De acordo com o Dr. Paulo Faro, no entanto, entidades como a Sociedade Internacional de Cefaleia, a Americana e a Brasileira não recomendam o procedimento.

“Procedimento visa tratar consequência e não causa”, diz o médico.

Segundo o médico, descomprimir os nervos não vai controlar uma doença que é tão complexa quanto é a enxaqueca.

Fonte: Banda B | 01.10.2021