Hospital INC - Instituto de Neurologia de Curitiba

Fotofobia: sintoma pode indicar de enxaqueca a doenças no olho

Descrita como uma aversão à luz, a fotofobia é, em geral, sintoma de uma doença, seja ela neurológica ou oftalmológica


Se a luz gera sensibilidade ao olho, muito provavelmente está relacionada a um de dois grupos de doenças: oftalmológicas ou neurológicas. A chamada fotofobia, ou a aversão à luz, é descrita na literatura médica como um distúrbio sensorial. Mas pode (e deve) ser visto como um sintoma.

Dentro do universo neurológico, a fotofobia é conhecida entre quem convive com a enxaqueca. Paulo Faro, médico neurologista, cita que entre 80% das pessoas com a doença descrevem a fotofobia como um sintoma comum.

"Entre 30% a 60% deles dizem que o estímulo luminoso é um fator de gatilho para desencadear as crises. Então está diretamente relacionado", explica o especialista, que é chefe do setor de Cefaleia e dor Orofacial do Instituto de Neurologia de Curitiba e membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia.

Outras condições neurológicas que podem apresentar a fotofobia como sintoma são, de acordo com Faro, a paralisia supranuclear progressiva, que é um tipo de demência, e após um traumatismo crânio-encefálico.

"Embora as principais doenças sejam neurológicas e oftalmológicas, também há outras, não tão comuns, mas que podem provocar o sintoma. Transtornos de depressão e ansiedade, por exemplo. Há também o relato do sintoma associado à algumas medicações, como o uso de barbitúricos e benzodiazepínicos", completa Faro. Esses medicamentos são conhecidos pela ação calmante e sedativa.

Olho seco
A enxaqueca é a principal condição a gerar fotofobia entre as doenças neurológicas, mas no campo da oftalmologia é o olho seco que está mais associado ao sintoma. Em tempos de pandemia, a característica gera mais preocupação dos especialistas, visto o maior número de pessoas usando computadores, smartphones e televisores sem limite de exposição.

Trate a doença principal
Por ser um sintoma, a fotofobia será controlada quando o paciente resolver a doença que a gerou. No caso da enxaqueca, o tratamento contínuo, conforme indicação médica, deve ser levado à risca.

"A fotofobia pode ter um curso bem limitado. Se for decorrente de uma inflamação de alguma estrutura do olho, tratar a infecção também faz com que o sintoma desapareça. A enxaqueca é uma doença crônica, e a pessoa pode apresentar a fotofobia durante as crises e mesmo no período chamado de intercrítico, entre as crises. A melhora da fotofobia depende do controle da enxaqueca", explica o neurologista Paulo Faro.

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Fonte: Sempre Família | Gazeta do Povo - 28/08/2020