Hospital INC - Instituto de Neurologia de Curitiba

Infartos e AVCs podem aumentar durante a quarentena

Aumento de 800% em óbitos por ataques cardíacos em Nova York e morte do músico Moraes Moreira ligam o alerta de atenção para o problema; especialista explica sintomas e prevenção

A quarentena e a preocupação com a COVID-19, o novo coronavírus, tem colocado em segundo plano algumas preocupações tão importantes quanto a pandemia. Um dado alarmante e que chama a atenção no Brasil é que Nova York, novo epicentro da doença, teve um aumento de 800% nos casos de morte por ataques cardíacos em casa. Paralelamente, nesta semana, o compositor Moraes Moreira, dos Novos Baianos, morreu em decorrência de um infarto.

O músico foi encontrado morto em casa, no Rio de Janeiro. Aos 72 anos de idade, teve um infarto agudo do miocárdio. Segundo Dra. Vanessa Rizelio, neurologista e diretora clínica do Instituto de Neurologia de Curitiba (INC), não há coincidência alguma: mortes por infartos e acidente vascular cerebral (AVC) podem aumentar durante o período de isolamento social. Como estas doenças se manifestam de forma súbita, é bom estar atento aos sinais.

“Temos observado não só aqui no Brasil, mas no mundo, a diminuição de chegada de pacientes com suspeita de AVC aos hospitais”, avalia. “E quando vão, chegam além do tempo para estabelecer um tratamento que melhora o quadro e evita sequelas (até quatro horas do início dos sintomas)”. Dados corroboram com isso. O Datasus de 2018 aponta que 27% das mortes (357,7 mil) ocorridas no ano foram por conta de infartos e AVC, de um total de 1,31 milhão. É um problema que mata mais que o câncer, acidentes domésticos e doenças infecciosas, por exemplo.

Mais de um tipo
No caso específico do AVC, que requer agilidade no atendimento, há duas apresentações. A mais grave é o acidente vascular hemorrágico, que acontece quando um vaso se rompe e gera um sangramento no cérebro. Há dois tipos de AVC hemorrágico: o intracerebral, com sangramento dentro do cérebro, e a hemorragia subaracnóide, na parte entre o crânio e o cérebro.

Já o mais comum é o acidente vascular isquêmico, quando o fluxo de sangue é bloqueado em uma região específica do cérebro. A falta de sangue causa danos às funções neurológicas e pode paralisar, temporariamente, o indivíduo. Para se ter ideia, 87% dos AVCs são desse tipo.

Atento aos sintomas
Um teste rápido pode indicar que os sintomas apresentados pela pessoa seriam decorrentes de um AVC, aponta a especialista.

Alguns deles são: dificuldade para falar, pronúncia de palavras ou de a pessoa enrolar a língua; falta de coordenação motora com desequilíbrio na hora de tentar caminhar; perda de visão de um olho ou dificuldade para enxergar; paralisia dos membros de um lado do corpo; não conseguir levantar os dois braços ou um deles cair rapidamente; e não conseguir sorrir de forma igual, com um lado da boca puxando para baixo.

Dra. Vanessa reforça: sentiu algum desses sintomas, vá o mais rápido possível ao hospital. “As dores de cabeça quando acontecem de forma súbita e muita intensa, acompanhadas de outro sintoma, como vômitos ou dificuldade para falar ou enxergar, também são emergências, o paciente não deve esperar passar por si só”, reforça.

Falta de ar pode ser sinal de infarto
Conforme explica o cardiologista do INC, Dr. Rafael Luís Marchetti, até mesmo a falta de ar – também um dos sintomas da COVID-19, por coincidência – pode apontar sintomas de infarto. Além disso, dores no peito e palpitações são sinais imediatos que o indivíduo deve procurar um médico.

Por isso, o ponto chave nesse tipo de urgência é a dor torácica: alta intensidade de pontadas ou dores constantes na região do peito podem indicar um problema mais grave que uma simples fadiga muscular.

“O conselho é: não hesite em sair de casa se tiver os sintomas para procurar atendimento”, alerta ele. “São casos que podem ser evitados. Ao invés de correr o risco de infartar em casa com medo de ir ao hospital, a pessoa acaba perdendo a chance de tratamento”.

Fonte: Portal RBN, 26/04/2020