Hospital INC - Instituto de Neurologia de Curitiba

Mitos e verdades sobre dor de cabeça


Achar que a pressão alta, ou hipertensão, possa gerar dor de cabeça é um mito comum entre a população brasileira, mas o que ocorre é o inverso: é quando o indivíduo tem uma cefaleia que a pressão arterial ou mesmo a frequência cardíaca podem se alterar. Outro mito conhecido entre os neurologistas é de os pacientes acharem que uma dor de cabeça pode provir do fígado, que enviaria sinais à cabeça quando estivesse sobrecarregado.

O que acontece, na verdade, é que alguns alimentos são gatilhos para a enxaqueca, um dos tipos de cefaleia mais comuns. Muitos deles também afetam o fígado, como comidas com muita gordura. Por isso que a primeira reação das pessoas é culpar o injustiçado órgão.

Local da dor
Dor atrás da cabeça, nas têmporas ou na testa: a localização da dor não indica, necessariamente, a causa, mas pode ajudar no diagnóstico. Dos tipos de dor mais comuns, a enxaqueca e a cefaleia do tipo tensional, há regiões específicas onde surgem os sintomas.

Na enxaqueca, por exemplo, as pessoas tendem a ter dores em um dos lados da cabeça, na região frontal ou nas têmporas, e não nos dois ao mesmo tempo – embora essa situação não seja impossível. Os pacientes tendem a ter ainda náusea ou enjoo, incômodo com luz, barulhos ou cheiros, e a intensidade da dor tende a ser maior que em uma cefaleia do tipo de tensão.

As dores também podem se alternar entre os lados: se a pessoa teve um episódio de enxaqueca no lado direito uma vez, na próxima pode ser que a dor acometa o lado esquerdo da cabeça. Com relação às dores de cabeça do tipo tensionais, os sintomas tendem a atingir ambos os lados. Muitos pacientes relatam que sentem como se tivessem uma faixa de pressão na cabeça, ocupando a região frontal, das têmporas ou a occipital (na base do crânio).

Além disso, nesse tipo específico, a dor é em geral de intensidade leve a moderada e não acompanha outros sintomas. “A localização da dor nos fornece informações importantes, mas ela não define o diagnóstico. É preciso saber se há irradiação, se a dor começou na testa e foi para o lado direito ou se corre para a têmpora, nuca, pescoço. Também é importante saber a qualidade da dor, se é latejante, em pressão, em choque, bem como a duração e frequência. Todas essas informações ajudam a definir a causa", diz Paulo Faro, médico neurologista, chefe do setor de Cefaleia e Dor Orofacial do Instituto de Neurologia de Curitiba (INC).

Indicativo de outras doenças
Há 250 tipos diferentes de dores de cabeça, e o acúmulo dos sintomas – e não apenas a localização da dor – indicará o diagnóstico. Assim, a primeira reação do médico neurologista ao atender um paciente que reclama de dores de cabeça é tentar dividir a dor entre primárias e secundárias.

Conforme explica Faro, as dores primárias são decorrentes de uma disfunção bioquímica de neurotransmissores, que predispõe aos sintomas. A dor de cabeça, nesse caso, é a própria doença. No caso das dores secundárias, um dos sinais de alerta é o aparecimento súbito da cefaleia. “O principal diagnóstico é a ruptura de um aneurisma, que leva a uma hemorragia subaracnóidea. O paciente tem uma dor de cabeça súbita, explosiva, com intensidade de dor que vai a 10 em menos de um minuto”, exemplifica o médico.

“No geral, para o diagnóstico da dor de cabeça secundária, o especialista leva em consideração o aparecimento de uma causa concomitante à dor. Por exemplo, a pessoa tinha dores de cabeça esporádicas ou nunca, mas depois de cair de skate, bater a cabeça, passa a ter uma dor, ou ela piora muito. É uma dor atribuída ao traumatismo. Nesse caso, não importa onde está localizada a dor”, explica o Neurologista.

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Fonte: Sempre Família | Gazeta do Povo - 29/05/2020