Hospital INC - Instituto de Neurologia de Curitiba

Novembro azul: saiba quais os problemas que envolvem a próstata e alguns fatores de risco

Doença masculina é registrada normalmente a partir dos 65 anos. Diagnóstico precoce amplia possibilidade de sucesso no tratamento

Números da Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2015 revelaram que, nos 12 meses anteriores à sua divulgação, apenas 63,9% dos homens procuraram um médico, contra 78% das mulheres. Prova de que os homens, por medo ou por teimosia, cuidam menos da própria saúde.

O Novembro Azul tem a intenção de fazer com que os homens prestem mais atenção em sua própria saúde. Dedicado à prevenção e ao diagnóstico precoce de doenças masculinas, o mês tem sido o período em que se discute formas eficazes de combate a um dos principais problemas a atingir o homem a partir da meia idade: o câncer de próstata.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) revelam que o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). Por registrar 75% dos casos em todo o mundo entre homens a partir dos 65 anos, é considerado como uma doença de terceira idade. O que não significa que os cuidados devam ser deixados para depois.

Problema de homem

A próstata é uma glândula exclusiva dos homens e que fica na parte baixa do abdômen. Pequena e em formato de maçã, fica abaixo da bexiga e à frente do reto. É responsável pela produção do sémen e envolve a parte inicial da uretra, canal que elimina a urina da bexiga.

Em sua fase inicial, o câncer de próstata não costuma apresentar sintomas. Por isso, a realização dos exames é fundamental. Quanto mais cedo o problema for diagnosticado, maiores as chances de sucesso no tratamento. Mas dificuldades para urinar, ou a necessidade em excesso, várias vezes ao dia ou à noite, a diminuição no jato e eventual sangue na urina devem ser investigados. Ainda que, na maior parte das vezes, tais sintomas não sejam necessariamente sintoma de câncer

O diagnóstico é feito a partir de dois exames: o de sangue e o retal. O ideal, explica o dr. Ruimario Machado Coelho, urologista do Hospital INC, é realizar os exames a partir dos 45 anos. “É o médico quem vai indicar qual o exame ideal para o paciente, se o de sangue ou o de toque”, define. Já em sua fase avançada, pode provocar dor nos ossos, sintomas urinários e até insuficiência renal ou infecção generalizada.

Há alguns fatores de risco. Um deles é caso de histórico na família. Pai ou irmão que tenham enfrentado o problema antes dos 60 anos podem sinalizar atenção. Excesso de gordura corporal é outro fator para o aumento do risco de câncer avançado. A exposição a aminas aromáticas (utilizadas na indústria química, mecânica e de transformação de alumínio), arsênio (empregado como conservante de madeira e de agrotóxico), e a produtos de petróleo, motor de escape de veículo, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA), fuligem e dioxinas pode contribuir para o desenvolvimento da doença.

Hiperplasia

A hiperplasia da próstata (ou prostática) é o aumento do tamanho da próstata. Benigno, não está relacionado diretamente com o câncer na região. E atinge boa parte da população masculina a partir dos 40 anos – até os 49 anos, atinge aproximadamente 25% dos homens; entre 70 e 80 anos a incidência pode chegar a 80%.

“A hiperplasia é uma questão quase natural em homens depois dos 45 anos. Em alguns homens, pode apresentar sintomas e a cirurgia ser o mais indicado; em outros, um tratamento com medicamentos é suficiente e um outro grupo não vai sentir nada. Só não tem aumento de próstata que, infelizmente, morre cedo”, informa o especialista.

As consequências são dificuldade para urinar, ou o aumento de vezes para aquele xixi noturno, o fluxo fraco de urina e a sensação de que a bexiga não se esvaziou totalmente. “Em alguns casos, acontece a retenção urinária, que é quando o paciente não consegue mais urinar”, explica o dr. Ruimario. O problema pode evoluir para uma infecção urinária, já que a urina retida pode proporcionar a proliferação de bactérias.

Um dos fatores de risco é o histórico familiar, por isso não há prevenção específica para o problema. Mas alguns cuidados precisam ser tomados, como a manutenção de hábitos saudáveis: boa hidratação, não fumar, fazer atividades físicas regulares, evitar sobrepeso e obesidade e manter boa qualidade do sono.

Fonte: Segs | 16/11/2020