Hospital INC - Instituto de Neurologia de Curitiba

Preconceito da sociedade com medicamentos transforma tratamento em estigma

Remédios como o fenobarbital (Gardenal), criado em 1912 e equivocadamente associado à loucura, são necessários em casos de epilepsia; problema atinge 3 milhões de brasileiros

Um dos medicamentos mais utilizados em todo mundo, o Gardenal é também um dos que mais possui estigmas associados a quem utiliza. Frases como “você devia tomar gardenal” são comumente associadas às pessoas com sinais de loucura, ou tomando atitudes equivocadas. Na avaliação do especialista Bruno Takeshita, médico neurologista do Hospital INC, em Curitiba, trata-se de uma visão cultural que o brasileiro criou ao longo dos anos.

“É bem importante esclarecer que o Gardenal não é recomendado para doenças psiquiátricas”, diz ele. “Utiliza-se, sim, no uso específico de crises epilépticas. É um remédio distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS), extremamente barato e que, normalmente, não é tão divulgado na imprensa por ter um valor barato de distribuição”.

Atualmente, no Brasil, estima-se que existem 3 milhões de pessoas que sofram de epilepsia. Boa parte delas faz uso de um fenobarbital, como o Gardenal, cujos efeitos colaterais incluem sonolência e reações alérgicas. Mas cada organismo pode reagir de uma forma, ressalta Takeshita.

“Às vezes o próprio paciente – levando em conta o contexto cultural associado ao remédio – tem insegurança de tomar ele quando é receitado. ‘Eu preciso tomar gardenal?’, questionam alguns. Mas é um medicamento que só não deve ser utilizado em alguns casos, como para os portadores de porfiria (doença metabólica que se manifesta por problemas na pele), insuficiência respiratória, hepática ou renal”.